No fim da tarde, um cortejo com 300 embarcações leva para alto-mar os balaios, carregados de presentes, pentes, espelhos, sabonetes, perfumes, flores, e até jóias. Tudo o que possa interessar a uma mulher vaidosa.
Muitas flores, balaios cheios de oferendas. O saveiro que leva o presente principal dos pescadores, puxa o cortejo até o local onde os balaios são "arriados". Pedido: boa pescaria e águas calmas.
Dizem os pescadores que, se os balaios não afundarem, é sinal de que Iemanjá não aceitou. Mas os presentes sempre afundam, diz Menezes.
Em terra, fogos anunciam o momento e a emoção toma conta dos devotos, enquanto adeptos do candomblé dançam e entram numa espécie de transe, "recebendo" suas entidades espirituais.
O batuque do samba-de-roda e afoxé, animam as ruas, durante todo o dia, na festa de largo, nas proximidades do Largo de Santana, da Igreja, nas ruas laterais e na Mariquita. Barracas vendem bebidas e comidas típicas da Bahia.
No início, era chamada de Festa da Mãe D'Água e realizada em conjunto com a Paróquia do Rio Vermelho, num sincretismo religioso típico da Bahia.
Na década de 60, um vigário fez uma homilia contra o sincretismo e teria chamado os pescadores de "ignorantes", por cultuarem uma mulher com rabo de peixe, a sereia, como é representada a Iemanjá na Bahia. A partir daí, os os pescadores decidiram homenagear apenas a orixá. E a Igreja de Santana fica sempre fechada no dia 2 de fevereiro.
No sincretismo, é a Nossa Senhora da Conceição. É a entidade feminina mais importante do candomblé. No simbolismo afro-brasileiro, a divindade é representada como uma mulher de grande ventre e seios volumosos com uma gamela na cabeça. Na Bahia, é representada pela imagem da sereia. A dança de Iemanjá, na cerimônia do candomblé, é solene, cheia de ondulações e graciosidade, semelhante ao movimento das águas do mar.


























